domingo, 5 de julho de 2015

Guerra do Contestado 1912 - 1916

Este assunto já foi retratado em provas de vestibular diversas vezes como regular dentro de Geografia e História ou como atualidades. E como recentemente a Assessoria de Comunicação do Governo do Estado de Santa Catarina lançou uma série de livros sobre a “História de Santa Catarina Ilustrada” e o primeiro volume (digital e impresso) é sobre “O Contestado” resolvi postar sobre o assunto. Pois aumenta a chance do tema ser bem lembrado nas provas.

O conflito

Iniciada em outubro de 1912, na Região Sul do país, a Guerra do Contestado foi um conflito armado que opôs forças do governo (federal e estadual) e sertanejos que viviam na região disputada pelos estados de Santa Catarina e do Paraná. Disposto a eliminar as insurreições regionais contra a ainda jovem República brasileira, o presidente Hermes da Fonseca acirrou a intervenção militar em 1914, chegando a enviar 8 mil soldados contra os rebeldes (que somaram 10 mil, no auge da mobilização). Os quase quatro anos de batalhas resultaram em cerca de 20 mil mortes e tiveram como conclusão a delimitação oficial da fronteira entre Paraná e Santa Catarina, ratificada em 20 de outubro de 1916.

Com ampla cobertura da imprensa da época, os jornalistas, militares e cronistas se referiram ao conflito de diversas maneiras: guerra santa, guerra dos fanáticos, guerra dos jagunços, guerra sertaneja, movimento do contestado, ente outros títulos. A origem e a longevidade do conflito foram atribuídas de imediato à “ignorância” e ao “fanatismo” dos sertanejos que viviam na região em disputa e se reuniram em torno do monge Zé Maria para resistirem à modernização em curso.

Ao longo desses 100 anos que nos separam do início da guerra, os estudos sobre esse emblemático movimento de resistência foram se renovando e trazendo a lume novos e sensíveis elementos para a análise do episódio. Se os primeiros estudos se limitaram à compreensão do conflito a partir da ignorância, do abandono, da miséria e de uma consequente desqualificação dos valores do mundo rural, a partir da década de 1970 começaram a surgir vigorosas pesquisas que procuraram investigar o universo cultural e político daqueles homens, seus rituais de devoção, a formação da irmandade cabocla e das cidades santas, suas lideranças e seu desejo por um novo mundo. Inicialmente classificada como uma “revolta alienada”, o movimento passou a ser observado pelos pesquisadores como reflexo de demandas em sintonia com a realidade política e social de seus atores.

Também ganharam força as abordagens que se detiveram sobre a presença ostensiva do capital estrangeiro na região, como a atuação da Brazil Railway Company na construção da estrada de ferro São Paulo-Rio Grande e a instalação da Southern Brazil Lumber & Colonization Company para a exploração comercial madeireira e para a colonização dessas terras. Esses empreendimentos causaram enormes impactos no cotidiano da população local, entre os quais podemos citar a desapropriação de terras, a expulsão de moradores de seus locais de origem e as mudanças nas relações de trabalho. Outro agravante foi o enorme contingente de desempregados que se fixaram na região após o final de algumas obras. Somam-se a essa conjuntura a instabilidade política nacional e internacional do período, a necessidade de reafirmação do exército brasileiro, o interesse e a atuação dos coronéis locais, entre outros aspectos fundamentais para entendermos a enorme gama de transformações que ocorreram na Primeira República no Brasil.

VÍDEO SOBRE A GUERRA DO CONTESTADO






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