quinta-feira, 17 de março de 2016

Hotspots - Conceito e Brasil

O conceito Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers para resolver um dos maiores dilemas dos conservacionistas: quais as áreas mais importantes para preservar a biodiversidade na Terra?

Ao observar que a biodiversidade não está igualmente distribuída no planeta, Myers procurou identificar quais as regiões que concentravam os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. Ele chamou essas regiões de Hotspots.

Hotspot é, portanto, toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original.

1988: Myers identificou 10 Hotspots mundiais.

1996-1999: o primatólogo norte-americano Russell Mittermeier, presidente da CI, ampliou o trabalho de Myers com uma pesquisa da qual participaram mais de 100 especialistas. Esse trabalho aumentou para 25 as áreas no planeta consideradas Hotspots. Juntas, elas cobriam apenas 1,4% da superfície terrestre e abrigavam mais de 60% de toda a diversidade animal e vegetal do planeta.

fev/2005: A CI atualiza a análise dos Hotspots e identifica 34 regiões, hábitat de 75% dos mamíferos, aves e anfíbios mais ameaçados do planeta. Nove regiões foram incorporadas à versão de 1999. Mesmo assim, somando a área de todos os Hotspots temos apenas 2,3% da superfície terrestre, onde se encontram 50% das plantas e 42% dos vertebrados conhecidos.

Os Hotspots Atuais (2016)

BRASIL

No Brasil há dois Hotspots: a Mata Atlântica e o Cerrado. Para estabelecer estratégias de conservação dessas áreas, a CI-Brasil colaborou com o Projeto de Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade dos Biomas Brasileiros, do Ministério do Meio Ambiente. Centenas de especialistas e representantes de várias instituições trabalharam juntos para identificar áreas prioritárias para a conservação do Cerrado (em 1998) e da Mata Atlântica (em 1999).

MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica da América do Sul tropical possui 20 mil espécies de plantas, 40 por cento das quais são endêmicas. No entanto, menos de 10 por cento da floresta permanece. Mais de duas dezenas de espécies de vertebrados estão Criticamente em Perigo lutando para sobreviver na região, incluindo três espécies de micos-leões e seis espécies de aves que são restritos à pequena mancha de floresta perto da Estação Ecológica Murici no nordeste do Brasil. Com quase 950 tipos de aves que ocorrem neste hotspot, existem muitas espécies únicas, incluindo o mutum-de-bico vermelho, o pato-mergulhão brasileiro, e numerosas espécies de papagaios ameaçados.

Começando com plantações de cana e, posteriormente, as plantações de café, esta região tem vindo a perder o habitat de centenas de anos. Agora, com a expansão crescente do Rio de Janeiro e São Paulo, a Mata Atlântica está enfrentando forte pressão das questões ligada à urbanização.

CERRADO

A região do Cerrado do Brasil, compreendendo 21 por cento do país, é a mais extensa floresta-savana na América do Sul. Com uma estação seca pronunciada, ele suporta um único conjunto de seca-e-fogo adaptadas espécies de plantas e um número surpreendente de espécies de aves endêmicas. Grandes mamíferos como o tamanduá-bandeira, tatu-canastra, onça-pintada eo lobo-guará também ainda sobrevivem aqui, mas estão competindo com a rápida expansão da fronteira agrícola do Brasil, que se concentra principalmente na soja e milho. A pecuária é outra grande ameaça para a região, uma vez que produz quase 40 milhões de bovinos por ano.



Fonte:



Jonathan Kreutzfeld

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