quinta-feira, 31 de março de 2016

Nióbio no Brasil

Por Pércio de Moraes Branco, CPRM.

Circulam já há algum tempo, na internet, denúncias de que o Brasil estaria dilapidando suas valiosas reservas de nióbio; que é praticamente o único produtor desse metal, mas não está lhe dando o devido valor; que o vende a preços irreais; que permite que seja contrabandeado etc.

Há nessas afirmações algo de verdadeiro, algo de falso e também algumas coisas que são apenas parcialmente verdadeiras.

O que é o nióbio

O nióbio é um metal branco, brilhante, de baixa dureza, extraído principalmente do mineral columbita. Está presente, porém, em todos os minerais de tântalo e é obtido também a partir do pirocloro, loparita, euxenita, manganotantalita e samarskita. Seu nome vem de Níobe, personagem mitológica que era filha de Tântalo, em alusão à grande afinidade entre os dois metais. Nos Estados Unidos é chamado mais de colúmbio.
 
É muito resistente à corrosão e a altas temperaturas, e basta adicionar alguns gramas de nióbio a uma tonelada de aço para deixá-lo mais leve e com maior resistência a fraturas e torções.

O nióbio é atualmente empregado em automóveis; turbinas de avião; gasodutos; tomógrafos de ressonância magnética; nas indústrias aeroespacial, bélica e nuclear; além de outras inúmeras aplicações como lentes óticas, lâmpadas de alta intensidade, bens eletrônicos e até piercings.

Reservas mundiais e brasileiras

O metal existe em diversos países, mas 98% das reservas conhecidas no mundo estão no Brasil e nosso país é responsável atualmente por mais de 90% do volume comercializado no planeta, seguido por Canadá e Austrália.
As reservas brasileiras são da ordem de 842, 46 milhões de toneladas e encontram-se em Minas Gerais (75%), Amazonas (21%) e Goiás (3%). Há reservas pequenas também em Roraima, mas elas, como as do Amazonas, estão em região de fronteira ou em áreas de reservas indígenas, e não há previsão de abertura de novas minas no país além das atualmente em lavra. Além disso, o nióbio de São Gabriel da Cachoeira (AM) requer tecnologia específica que permita seu aproveitamento econômico.

Oferta e demanda

A oferta do produto está praticamente toda nas mãos de duas empresas privadas, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração - CBMM (que detém 80% da produção mundial) e a Mineração Catalão de Goiás. Essa situação pode não ser desejável, mas as exportações dessas duas empresas colocam o nióbio em 3º lugar na nossa pauta de exportação mineral, logo após o minério de ferro e o ouro.

Segundo Marcelo Tunes, diretor de Assuntos Minerários do Instituto Brasileiro de Mineração - Ibram, o aumento da demanda é mérito dos produtores brasileiros, que sempre buscaram conquistar novos clientes no mundo. 

Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o volume de liga ferro-nióbio exportado cresceu 110% em 10 anos, passando de 33.688 toneladas em 2003 para 70.948 em 2012. A demanda mundial por nióbio tem crescido nos últimos anos a uma taxa de 10% ao ano, puxada principalmente pelas compras dos chineses. A China “e diversos outros países começam a enxergar os benefícios do uso do nióbio em obras de infraestrutura, para a construção de estruturas mais leves que não se degradam no tempo e com um impacto ambiental menos intenso”, afirma um executivo da mineradora Anglo American.

O Brasil produz o concentrado, a liga ferro-nióbio e produtos feitos com o metal, participando de todos os segmentos do mercado de nióbio e sendo predominante no setor de ferro-nióbio. Este assegurou, em 2006, ingresso de 300 milhões de dólares de divisas no país. Desde a década de 70, não há comercialização do minério bruto ou do concentrado de nióbio (pirocloro) no mercado interno ou externo. O metal é vendido, sobretudo, na forma de liga ferro-nióbio, com 66% de nióbio e 30% de ferro. Segundo o governo, as exportações da liga atingiram em 2012 aproximadamente 71 mil toneladas, no valor de US$ 1,8 bilhão. Portanto, estamos aproveitando muito bem esse recurso mineral.

Embora nossas reservas sejam muito grandes (842,46 milhões de toneladas), há quem tema que elas estejam sendo lavradas de modo inadequado, com risco de o nióbio vir a faltar no futuro. Essa preocupação, porém, não procede. Somente em Araxá (MG), há reservas para 200 anos, no atual nível de consumo. E as reservas de Rondônia e do Amazonas sequer entraram em produção ainda. 

Outra informação sem fundamento que tem sido divulgada é que a produção não é aumentada por motivos obscuros e antinacionais. A afirmação carece de fundamento porque, se o mercado mundial fosse inundado por uma grande produção de nióbio, ainda que todo ele fosse brasileiro, a tendência seria seu preço cair acentuadamente.

Rogério Cerqueira Leite, renomado físico brasileiro, lembra que dominar o mercado mundial como o Brasil domina é mais um obstáculo que uma vantagem, pois nenhum consumidor gosta de depender de um único fornecedor. Muitos deles preferem evitar essa dependência usando substitutos do nióbio, como vanádio, tântalo e titânio, ainda que mais caros.

Importância estratégica

Apesar do seu uso crescente e das inúmeras possibilidades de aplicação, o nióbio não tem a importância e o valor que possuem, por exemplo, o ouro e o petróleo. Mas é natural que o virtual monopólio brasileiro desperte cobiça e preocupação das maiores potências econômicas. E é normal também que ele dê origem a desconfianças infundadas sobre o modo como o Brasil está aproveitando essa grande riqueza.

Esses boatos devem ter sido reforçados em 2010, quando o site WikiLeaks divulgou documento secreto do Departamento de Estado americano no qual as minas brasileiras de nióbio eram incluídas na lista de locais cujos recursos e infraestrutura são considerados estratégicos e imprescindíveis aos EUA. 
Depois disso, uma fatia da CBMM, maior produtora mundial de nióbio, foi vendida para companhias asiáticas, numa transação bilionária. E em 2011, um grupo de empresas chinesas, japonesas e sul-coreanas comprou 30% do capital da mineradora com sede em Araxá (MG) por US$ 4 bilhões.

A inexistência de uma política estratégica para o nióbio brasileiro

“O Brasil detém praticamente todo o nióbio do planeta, mas esse potencial é desaproveitado”, assegura Monica Bruckmann, professora e pesquisadora do Departamento de Ciência Política da UFRJ e assessora da Secretaria-Geral da União de Nações Sul-Americanas - Unasul. “O que se esperaria é que o Brasil tivesse uma estratégia muito bem definida por se tratar de uma matéria-prima fundamental para as indústrias de tecnologia de ponta e que pode ser vista como uma fortaleza para a produção de energias limpas e para o próprio desenvolvimento industrial do país”, acrescenta ela.

Adriano Benayon defende a nacionalização do nióbio brasileiro. Diz ele que, com a produção restrita a dois grupos econômicos, é “evidente” que o interesse é exportar o nióbio do Brasil “ao menor preço possível”. Benayon acredita que o Brasil poderia ganhar até 50 vezes mais o que recebe atualmente com as exportações de ferro-nióbio, caso ditasse o preço do produto no mercado mundial e aumentasse o consumo interno do mineral. 

Para Roberto Galery, professor e pesquisador da faculdade de Engenharia de Minas da UFMG, nosso país deveria usar o nióbio como um trunfo para atrair mais investimentos e transferência de tecnologia. “Se o Brasil parasse de produzir ou vender nióbio hoje, isso geraria certamente um caos”, afirma ele. Galery acredita que exista uma enorme pressão de fora para obter um produto do qual eles precisam a um preço acessível.

O jornalista Darlan Alvarenga chama a atenção para o fato de que, apesar de deter quase um monopólio do nióbio, o governo brasileiro nunca definiu uma política específica para o metal ou um programa voltado para o desenvolvimento de uma cadeia industrial que vise agregar valor a este insumo. 

O novo marco regulatório da mineração, encaminhado ao Congresso Nacional na forma de projeto de lei em junho de 2013, não prevê nada específico sobre o nióbio. Estaria então o Brasil tirando pouco proveito de sua posição estratégica em relação ao nióbio?

O governo federal não concorda com as críticas, julgando satisfatórios os investimentos feitos no desenvolvimento de tecnologia de produção e na estrutura do mercado. O Ministério de Minas e Energia confirma que não tem uma política de estatização de jazidas de nióbio, assim como não a tem para qualquer outro bem mineral.

A venda poderia estar sendo feita por preços abaixo dos desejáveis se as empresas compradoras revendessem o nióbio por valores bem superiores aos que pagam aqui. Mas os produtores afirmam vender diretamente para o cliente final, para as siderúrgicas que aplicam o nióbio nos seus aços, com todas as operações de venda feitas dentro do Brasil. O preço, dizem eles, segue totalmente a lei da oferta e da procura.

A questão do preço

Considerando-se que nosso país detém um quase monopólio da produção do nióbio, há quem diga que o Brasil deveria definir um preço internacional para o produto. Além de não fazer isso, ele estaria vendendo por menos do que poderia vender e propiciando o surgimento de suspeitas de subfaturamento. Como a mercadoria não é negociada na bolsa, não são divulgados os preços das transações. Mas há várias razões para crer que o preço atual não é baixo demais e para que não se estabeleçam valores muito acima dos preços hoje praticados.

Darlan Alvarenga explica que o preço médio de exportação do ferro-nióbio subiu de US$ 13 o quilo em 2001 para US$ 32 em 2008 (com um salto entre 2006 e 2008) e lembra que, segundo especialistas, uma grande alta no preço do nióbio poderia incentivar sua substituição por produtos similares e até uma corrida pela abertura de novas minas em outros países. Atualmente estão sendo desenvolvidos novos projetos de exploração de nióbio no Canadá, no Quênia e nos Estados Unidos (em Nebraska, que hoje importa 100% do nióbio que consome).

Elmer Prata Salomão, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisa Mineral - ASPM, concorda que uma eventual intervenção governamental na oferta ou no preço do nióbio pode ter consequências funestas. Segundo ele, nosso nióbio tem um preço “praticamente imbatível" e se ele for elevado outras jazidas no mundo todo entrarão em produção. Ele lembra o que aconteceu com a China: ela decidiu reduzir a oferta e aumentar o preço das terras-raras, acarretando o surgimento de 50 novos projetos de produção desses bens minerais. 

Elmer Salomão faz também uma advertência: o setor mineral tem contribuído para os investimentos no país e para o superávit da balança comercial, e não deve ser utilizado como combustível ideológico para políticas intervencionistas.

O mito do contrabando de nióbio

Entre os mitos envolvendo o nióbio brasileiro estão os de que ele valeria tanto quanto o ouro e de que haveria contrabando, feito sob complacência das autoridades brasileiras. A liga ferro-nióbio, ao contrário de pedras preciosas e drogas, por exemplo, tem uma alta relação volume/preço e o contrabando, para compensar, deveria ser de toneladas, não de alguns quilos, como no caso de gemas ou drogas. 

Em 2012, uma onça de ouro (31,1 gramas) valia US$ 1.718. O mesmo peso de ferro-nióbio custava US$ 0,82. Assim, contrabandear 1 kg de ouro poderia ser compensador, pois ele valia US$ 55.241, mas 1 kg de liga ferro-nióbio valia apenas US$ 61,6! Em reais, com a cotação de junho de 2013, 1 kg de ouro valia R$ 121.530; e 1 kg de nióbio, apenas R$ 135. 


Fonte:

ALVARENGA. D. Monopólio brasileiro do nióbio gera cobiça mundial, controvérsia e mitos. G1 Economia e Negócios, acessado em 21 de junho de 2013.

BRANCO, P. de M. Dicionário de Mineralogia e Gemologia. São Paulo, Oficina de Textos, 2008. 608 p. il.


LEITE, R. C. C. O nióbio e o besteirol nacionalista. São Paulo, Folha de S. Paulo, 10 de janeiro de 2006. 3c. il. 

terça-feira, 22 de março de 2016

Médicos Sem Fronteiras - MSF

Eu nem preciso de muitas palavras pra descrever o que penso sobre estas pessoas. Sejamos nós, ricos, classe média ou baixa, todos podemos e devemos ajudar na medida em que pudermos as instituições que fazem trabalhos sérios e que nos faz sentir melhor.

Sou doador de sangue, de campanhas em instituições locais e costumo defender muito a ajuda local, agora que o MSF faz um trabalho divino e muitas vezes inacessível fisicamente por nós mundo afora, ah fazem! Não sou nem perto de uma pessoa perfeita, mas tento sempre melhorar.

Se não puder ir lá ajudar mas puder doar algum valor, doe, se não puder compartilhe ao menos essa ideia.




VÍDEO HOLD ON - COMPLETO

Jonathan Kreutzfeld




Novo capítulo na reaproximação EUA x Cuba

Já faz algum tempo que a reaproximação de Cuba e EUA vem sendo anunciada, aqui mesmo tenho textos anteriores sobre o assunto que aprofundam a situação e a história dos embargos entre outros temas.

Segue:



Porém agora a situação parece ainda melhor, no final de seu governo, Barack Obama deve conquistar uma reaproximação. Em visita ao país agorinha em março de 2016, Obama deve lutar fortemente para que isso se efetive no congresso e que um futuro possível presidente republicano não possa desfazer com facilidade. (Sem contar que essa atitude pode fortalecer os democratas no pleito de 2016).

Segue abaixo dados de pesquisa organizada pelo New York Times e a rede de TV CBS sobre a opinião da população estadunidense sobre a provável reaproximação.

Segundo o estudo, 58% dos americanos estão de acordo com a reaproximação, contra apenas 25% contrários, um resultado virtualmente idêntico ao obtido por uma pesquisa parecida em julho do ano passado, quando os dois países reabriram suas embaixadas.

Esta tendência é mais marcada entre os eleitores do Partido Democrata (69%) e entre os eleitores que se declaram independentes (57%). Mas entre os eleitores do conservador Partido Republicano, cujos líderes criticam a política de Obama em relação a Cuba, 44% também estão de acordo com a retomada das relações.

Uma maioria, 52%, de americano também está de acordo com a forma que Obama conduz essa delicada aproximação. Em dezembro de 2014, quando Washington e Havana anunciaram o início da aproximação, essa porcentagem era de 44%.

Segundo a pesquisa, a maioria dos americanos também deseja o fim do embargo econômico imposto por Washington a Cuba há meio século.

São 55% favoráveis ao fim do embargo, em uma tendência que novamente é mais evidente entre os democratas (64%) e os independentes (56%).

Os republicanos, no entanto, estão mais divididos, apesare de a porcentagem dos que desejam o fim do embargo (43%) seja maior que a dos que desejam sua continuidade (38%), com 19% que não têm uma opinião definida.

Ainda, 62% dos pesquisadores acham que o restabelecimento das relações com Cuba será bom para os Estados Unidos, e 40% esperam que levará a reformas no sistema político cubano.

No entanto, 69% dos americanos querem o fim dos privilégios migratórios para os cubanos, para que sejam tratados como todos os imigrantes que chegam ao país.

Em compensação a pesquisa mostra de 52% dos americanos são contra o fechamento da prisão de Guantánamo, contra apenas 38% que acham que isso seria melhor.

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:


quinta-feira, 17 de março de 2016

"Novo normal" do crescimento econômico da China

O Produto Interno Bruto (PIB) da China teve crescimento de 6,9% em 2015, o mais baixo desde 1990.

Crescimento econômico da China (2006-2016)
Se verificarmos o gráfico acima podemos perceber que o PIB chinês oscilou de acordo com a crise econômica mundial. E não haveria motivos para ser diferente, afinal, seu crescimento é para dentro dos demais países do mundo. 

Crescimento econômico da China (2013-2016)
Porém se analisarmos este outro gráfico de um período mais curto e recente perceberemos que não pode apenas ser o baixo desempenho econômico do mundo. A China precisa e está precisando mudar o foco para não parar de crescer. E a partir de agora precisa também crescer (e muito) para dentro do próprio e gigante país.

Avalie abaixo as palavras de Li Keqiang no ano de 2015 sobre a economia.

"As dificuldades pelas quais estamos passando esse ano podem ser maiores que as do ano passado,” disse Li, no Grande Salão do Povo, a oeste da Praça da Paz Celestial em Pequim diante de 3000 deputados, acrescentando que “nosso desenvolvimento está ainda em um período de importantes oportunidades estratégicas [...] o desenvolvimento da China entrou em uma nova normalidade, o que significa que devemos adotar uma nova atitude: este será um ano crucial para aprofundar as reformas”.

A “nova normalidade”, segundo o ministro, evidencia os novos níveis de prosperidade alcançados pela China, que estaria pronta para deixar de lado um modelo econômico baseado em custos trabalhistas enormemente baixos. Estaria ligada, para o governo chinês, a um tipo de crescimento próximo a padrões mais “ocidentais”, ou seja, longe das taxas de crescimento de dois dígitos que marcaram as últimas três décadas desde o final dos anos 70.


A China absorveu décadas de investimentos infraestruturais que possibilitaram a extração de enormes quantias de mais-valia absoluta de uma classe trabalhadora semi-escravizada, e foi base da recuperação de fôlego do capitalismo nos últimos 30 anos, oxigenando sua ofensiva neoliberal nos 90. É difícil visualizar um país (ou conjunto de países) que poderiam cumprir o papel da China neste quesito.

Além do mais, como dissemos, a crise econômica mundial em curso debilita as chances de “giros pacíficos” para novos nichos de exploração.

A própria China enfrentará grandes problemas internos: a desaceleração chinesa e o aumento dos custos de vida fizeram com que o número de greves dobrasse, de 656 em 2013 para 1378 em 2014, como a monstruosa greve de 40.000 operários nas fábricas de calçados da Yue Yuen, revelando uma nova geração operária que faz suas primeiras experiências de luta.

Jonathan Kreutzfeld








Fonte:







Hotspots - Conceito e Brasil

O conceito Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers para resolver um dos maiores dilemas dos conservacionistas: quais as áreas mais importantes para preservar a biodiversidade na Terra?

Ao observar que a biodiversidade não está igualmente distribuída no planeta, Myers procurou identificar quais as regiões que concentravam os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. Ele chamou essas regiões de Hotspots.

Hotspot é, portanto, toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original.

1988: Myers identificou 10 Hotspots mundiais.

1996-1999: o primatólogo norte-americano Russell Mittermeier, presidente da CI, ampliou o trabalho de Myers com uma pesquisa da qual participaram mais de 100 especialistas. Esse trabalho aumentou para 25 as áreas no planeta consideradas Hotspots. Juntas, elas cobriam apenas 1,4% da superfície terrestre e abrigavam mais de 60% de toda a diversidade animal e vegetal do planeta.

fev/2005: A CI atualiza a análise dos Hotspots e identifica 34 regiões, hábitat de 75% dos mamíferos, aves e anfíbios mais ameaçados do planeta. Nove regiões foram incorporadas à versão de 1999. Mesmo assim, somando a área de todos os Hotspots temos apenas 2,3% da superfície terrestre, onde se encontram 50% das plantas e 42% dos vertebrados conhecidos.

Os Hotspots Atuais (2016)

BRASIL

No Brasil há dois Hotspots: a Mata Atlântica e o Cerrado. Para estabelecer estratégias de conservação dessas áreas, a CI-Brasil colaborou com o Projeto de Ações Prioritárias para a Conservação da Biodiversidade dos Biomas Brasileiros, do Ministério do Meio Ambiente. Centenas de especialistas e representantes de várias instituições trabalharam juntos para identificar áreas prioritárias para a conservação do Cerrado (em 1998) e da Mata Atlântica (em 1999).

MATA ATLÂNTICA

A Mata Atlântica da América do Sul tropical possui 20 mil espécies de plantas, 40 por cento das quais são endêmicas. No entanto, menos de 10 por cento da floresta permanece. Mais de duas dezenas de espécies de vertebrados estão Criticamente em Perigo lutando para sobreviver na região, incluindo três espécies de micos-leões e seis espécies de aves que são restritos à pequena mancha de floresta perto da Estação Ecológica Murici no nordeste do Brasil. Com quase 950 tipos de aves que ocorrem neste hotspot, existem muitas espécies únicas, incluindo o mutum-de-bico vermelho, o pato-mergulhão brasileiro, e numerosas espécies de papagaios ameaçados.

Começando com plantações de cana e, posteriormente, as plantações de café, esta região tem vindo a perder o habitat de centenas de anos. Agora, com a expansão crescente do Rio de Janeiro e São Paulo, a Mata Atlântica está enfrentando forte pressão das questões ligada à urbanização.

CERRADO

A região do Cerrado do Brasil, compreendendo 21 por cento do país, é a mais extensa floresta-savana na América do Sul. Com uma estação seca pronunciada, ele suporta um único conjunto de seca-e-fogo adaptadas espécies de plantas e um número surpreendente de espécies de aves endêmicas. Grandes mamíferos como o tamanduá-bandeira, tatu-canastra, onça-pintada eo lobo-guará também ainda sobrevivem aqui, mas estão competindo com a rápida expansão da fronteira agrícola do Brasil, que se concentra principalmente na soja e milho. A pecuária é outra grande ameaça para a região, uma vez que produz quase 40 milhões de bovinos por ano.



Fonte:



Jonathan Kreutzfeld

quinta-feira, 3 de março de 2016

COP 21 – Acordo de Paris (2015)

A COP21, conferência da ONU sobre o clima ocorreu entre o dia 30 de novembro e 12 de dezembro de 2015.  E pela primeira vez na história, todos os 196 países signatários da convenção do clima de 1992 assinaram um acordo para adotar medidas de combate a mudança climática. Até então, somente os países desenvolvidos eram obrigados a isso.


Termos importantes do acordo



-  O projeto de acordo para frear as mudanças climáticas traça planos para garantir  "um aumento da temperatura média global inferior a 2 °C em relação aos níveis pré-industriais e também reconhece a urgência de prosseguir com os esforços em limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C".

- O acordo também prevê o compromisso de acompanhamento e revisão a cada cinco anos de como os países estão aplicando seus planos climáticos, com o primeiro encontro marcado para 2023.

- Um mecanismo de perdas e danos, para lidar com os prejuízos financeiros que os países vulneráveis sofrem com os fenômenos extremos, como cheias, tempestades e temperaturas recordes.

- Um pedido para que os países revejam seus planos climáticos nacionais em 2018, antes de entrarem em efeito pós-2020.

- Pede ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas que apresente um relatório especial em 2018 sobre os impactos do aquecimento global de 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais.

É o primeiro pacto sobre o clima desde o Protocolo de Kyoto em 1997.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, discursou e lembrou a responsabilidade histórica dos delegados. "O mundo inteiro está nos observando", advertiu. "O tempo chegou de deixar os interesses nacionais de lado e agir nos interesses globais."

Já o presidente da França, François Hollande, único chefe de Estado presente, exortou os delegados governamentais a estarem à altura de um momento único. "O 12 de dezembro de 2015 poderá ser um dia não só histórico, mas uma grande data para a humanidade", afirmou, pedido as ministros que adotassem "o primeiro acordo universal de nossa história". "ê raro em uma vida a ocasião de mudar o mundo. Vocês a tem. Aproveitem."

Jonathan Kreutzfeld


Fonte: