segunda-feira, 27 de julho de 2015

O Irã e o Programa Nuclear

O Irã (República Islâmica do Irã) e anteriormente conhecido como Pérsia, é um país localizado na Ásia Ocidental. Tem fronteiras a norte com Armênia, Azerbaijão e Turcomenistão e com o Cazaquistão e a Rússia através do Mar Cáspio; a leste com Afeganistão e Paquistão; ao sul com o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã; a oeste com o Iraque; e a noroeste com a Turquia. Composto por uma área de 1.648.195 quilômetros quadrados é a segunda maior nação do Oriente Médio e a 18ª maior do mundo. Com mais de 77 milhões de habitantes, o Irã é o 17º país mais populoso do mundo.

O Irã é uma República Islâmica  que é o nome dado à república que constitui seu corpo instituicional de maneira compatível com os preceitos do islamismo. Na prática, cada um dos países que adota o republicanismo islâmico tem sua maneira própria de aplicar os preceitos islâmicos às instituições republicanas. Entre os países no mundo que adotam o regime incluem as repúblicas islâmicas do Irã, Paquistão, Afeganistão e a Mauritânia.

Economia

A economia iraniana é extremamente dependente da exportação de petróleo, isso significa que enquanto havia restrição a compra de petróleo iraniano, o mundo teve uma alta de preço pois se um dos maiores produtores deste recurso não está no mercado a oferta diminuía. E para o Brasil o petróleo caro tem dois lados:

- por um lado é bom para a Petrobrás lucrar mais e viabilizar projetos caros e;
- por outro lado seria interessante para nós usuários caso o nosso preço de combustíveis também caísse.

Mas devemos olhar para a economia iraniana não como um rival petroleiro e sim como um gigante e potencial cliente dos produtos brasileiros, principalmente alimentos. Com um PIB de quase 1 trilhão de dólares e muita coisa que não conseguem produzir, o Irã pode ser um grande parceiro econômico de qualquer nação produtora de alimentos.

Exportações
66,37 mil milhões (2012)
Produtos exportados
Petróleo (80%), produtos químicos e petroquímicos, frutas e nozes, tapetes
Principais parceiros de exportação
República Popular da China 21,4%, Japão 9,1%, Turquia 8,8%, Índia 8,1%, Coreia do Sul 8%, Itália 5,3% (2011)
Importações
66,97 mil milhões (2012)
Produtos importados  
Matérias-primas e bens intermediários, bens de capital, alimentos e outros bens de consumo, serviços técnicos
Principais parceiros de importação
Árabes Unidos 30,9%, República Popular da China 17,4%, Coreia do Sul 7,1%, Alemanha 4,8%, Turquia 4,2% (2011)
Dívida externa bruta  
9.452 milhões (2012)

Outro aspecto interessantíssimo da economia iraniana é sua pequena dívida externa que corresponde a cerca de 10% do PIB, só pra ter uma ideia, os EUA possuem dívida externa equivalente a quase 100% do seu PIB e a Noruega mais de 800%.


O acordo sobre o Programa Nuclear Iraniano

As grandes potências e o Irã concluíram em 14 de julho de 2015 em Viena, após meses de intensas negociações, um acordo final sobre o programa nuclear iraniano, destinado a garantir a natureza estritamente pacífica do programa em troca do levantamento das sanções internacionais contra o Irã. Uma constatação importante é a de que Barack Obama se arriscou bastante encabeçando um acordo que é relativamente arriscado.

Entre os principais "parâmetros" do acordo estão:

'Breakout time'
O objetivo é fixar um ano, no mínimo, e pelo menos dez anos, o "breakout time", o tempo necessário para o Irã produzir material físsil suficiente para a fabricação de uma bomba atômica, e para tornar uma tal tentativa imediatamente detectável. Este período é atualmente de 2 a 3 meses.

Enriquecimento de urânio

O enriquecimento de urânio por meio de centrífugas abre caminho para diferentes utilizações, segundo a taxa de concentração de isótopo U-235: 3,5 a 5% para combustível nuclear, 20% para uso médico e 90% para uma bomba atômica. Esta última etapa, a mais crucial, é também tecnicamente a mais rápida a produzir.
- O número de centrífugas do Irã passará de mais de 19.000 atualmente, incluindo 10.200 em atividade, a 6.104 - uma redução de dois terços -, durante um período de 10 anos.
Apenas 5.060 entre elas serão autorizadas a enriquecer urânio, a um nível que não ultrapassará 3,67% durante 15 anos. Trata-se exclusivamente de centrífugas de primeira geração.
Contudo, o Irã poderá prosseguir com suas atividades de pesquisa com centrífugas mais modernas e começar a fabricação, após oito anos, dos IR-6, dez vezes mais eficazes que as máquinas atuais, e ao IR-8, com desempenho 20 vezes superior.
- Teerã reduzirá a 300 kg, por um período de 15 anos, seu estoque de urânio enriquecido (LEU), atualmente de 10.000 kg.
- Teerã aceitou não construir nenhuma nova instalação de enriquecimento de urânio durante 15 anos.
- O Irã concorda em interromper o enriquecimento de urânio por pelo menos 15 anos na usina de Fordo, enterrada sob as montanhas e, portanto, impossível de destruir por ação militar.
Não haverá material físsil em Fordo por pelo menos 15 anos.
O local permanecerá aberto, mas não enriquecerá urânio.
Cerca de dois terços das centrífugas de Fordo será removido do local.
- Natanz: é a principal instalação de enriquecimento iraniano, com cerca de 17.000 centrífugas IR-1 de primeira geração, mil de IR-2M, e com capacidade de acomodar um total de 50.000.
Teerã concordou em torná-la sua única usina de enriquecimento e manter apenas 5.060 centrífugas, todas IR-1. As centrífugas IR-2M serão retiradas e colocadas sob controle da AIEA.

Controle

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), já presente no Irã, será responsável por controlar regularmente todas as instalações nucleares iranianas, e terá suas prerrogativas reforçadas consideravelmente.
- O campo de competência da AIEA se estenderá a todo programa nuclear iraniano, da extração de urânio à pesquisa-desenvolvimento, passando pela conversão e o enriquecimento de urânio. Os inspetores da AIEA poderão ter acesso às minas de urânio e aos locais onde o Irã produz o "yellowcake" (um concentrado de urânio), durante 25 anos.
- O Irã também concedeu um acesso limitado a suas instalações não-nucleares, principalmente militares, em caso de suspeita de atividade nuclear ilegal, pelos inspetores da AIEA como parte do Protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) que os países se comprometeram a aplicar e ratificar.

Plutônio

O acordo visa a tornar impossível a produção pelo Irã de plutônio 239, outro componente que pode compor uma bomba nuclear.
- O reator de água pesada em construção em Arak será modificado de modo a ser incapaz de produzir plutônio de qualidade militar. Os dejetos produzidos serão enviados ao exterior durante toda a vida do reator.
- Teerã não poderá construir um novo reator de água pesada durante 15 anos.

Sanções

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve adotar uma nova resolução para aprovar o acordo e anular todas as resoluções anteriores contra o programa nuclear iraniano.
Algumas medidas serão, no entanto, mantidas como exceção.
- As sanções americanas e europeias relacionadas com o programa nuclear iraniano visando os setores das finanças, energia e transporte, serão levantadas "assim que o Irã implemente" seus compromissos nucleares, atestado por um relatório da AIEA, o que não deve acontecer antes de 2016.
- As sanções da ONU sobre as armas: vão ser mantidas por cinco anos, mas exceções poderão ser concedidas pelo Conselho de Segurança. Todo comércio de mísseis balísticos com capacidade de transportar ogivas nucleares permanece banido por um período indeterminado.

Considerações finais

O fim do embargo recoloca o Irã na economia mundial em uma época de crise econômica global, e isso pode ser muito bom para parceiros econômicos e é claro, para os iranianos que comemoram a reaproximação.

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:






                       

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