segunda-feira, 27 de julho de 2015

O Irã e o Programa Nuclear

O Irã (República Islâmica do Irã) e anteriormente conhecido como Pérsia, é um país localizado na Ásia Ocidental. Tem fronteiras a norte com Armênia, Azerbaijão e Turcomenistão e com o Cazaquistão e a Rússia através do Mar Cáspio; a leste com Afeganistão e Paquistão; ao sul com o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã; a oeste com o Iraque; e a noroeste com a Turquia. Composto por uma área de 1.648.195 quilômetros quadrados é a segunda maior nação do Oriente Médio e a 18ª maior do mundo. Com mais de 77 milhões de habitantes, o Irã é o 17º país mais populoso do mundo.

O Irã é uma República Islâmica  que é o nome dado à república que constitui seu corpo instituicional de maneira compatível com os preceitos do islamismo. Na prática, cada um dos países que adota o republicanismo islâmico tem sua maneira própria de aplicar os preceitos islâmicos às instituições republicanas. Entre os países no mundo que adotam o regime incluem as repúblicas islâmicas do Irã, Paquistão, Afeganistão e a Mauritânia.

Economia

A economia iraniana é extremamente dependente da exportação de petróleo, isso significa que enquanto havia restrição a compra de petróleo iraniano, o mundo teve uma alta de preço pois se um dos maiores produtores deste recurso não está no mercado a oferta diminuía. E para o Brasil o petróleo caro tem dois lados:

- por um lado é bom para a Petrobrás lucrar mais e viabilizar projetos caros e;
- por outro lado seria interessante para nós usuários caso o nosso preço de combustíveis também caísse.

Mas devemos olhar para a economia iraniana não como um rival petroleiro e sim como um gigante e potencial cliente dos produtos brasileiros, principalmente alimentos. Com um PIB de quase 1 trilhão de dólares e muita coisa que não conseguem produzir, o Irã pode ser um grande parceiro econômico de qualquer nação produtora de alimentos.

Exportações
66,37 mil milhões (2012)
Produtos exportados
Petróleo (80%), produtos químicos e petroquímicos, frutas e nozes, tapetes
Principais parceiros de exportação
República Popular da China 21,4%, Japão 9,1%, Turquia 8,8%, Índia 8,1%, Coreia do Sul 8%, Itália 5,3% (2011)
Importações
66,97 mil milhões (2012)
Produtos importados  
Matérias-primas e bens intermediários, bens de capital, alimentos e outros bens de consumo, serviços técnicos
Principais parceiros de importação
Árabes Unidos 30,9%, República Popular da China 17,4%, Coreia do Sul 7,1%, Alemanha 4,8%, Turquia 4,2% (2011)
Dívida externa bruta  
9.452 milhões (2012)

Outro aspecto interessantíssimo da economia iraniana é sua pequena dívida externa que corresponde a cerca de 10% do PIB, só pra ter uma ideia, os EUA possuem dívida externa equivalente a quase 100% do seu PIB e a Noruega mais de 800%.


O acordo sobre o Programa Nuclear Iraniano

As grandes potências e o Irã concluíram em 14 de julho de 2015 em Viena, após meses de intensas negociações, um acordo final sobre o programa nuclear iraniano, destinado a garantir a natureza estritamente pacífica do programa em troca do levantamento das sanções internacionais contra o Irã. Uma constatação importante é a de que Barack Obama se arriscou bastante encabeçando um acordo que é relativamente arriscado.

Entre os principais "parâmetros" do acordo estão:

'Breakout time'
O objetivo é fixar um ano, no mínimo, e pelo menos dez anos, o "breakout time", o tempo necessário para o Irã produzir material físsil suficiente para a fabricação de uma bomba atômica, e para tornar uma tal tentativa imediatamente detectável. Este período é atualmente de 2 a 3 meses.

Enriquecimento de urânio

O enriquecimento de urânio por meio de centrífugas abre caminho para diferentes utilizações, segundo a taxa de concentração de isótopo U-235: 3,5 a 5% para combustível nuclear, 20% para uso médico e 90% para uma bomba atômica. Esta última etapa, a mais crucial, é também tecnicamente a mais rápida a produzir.
- O número de centrífugas do Irã passará de mais de 19.000 atualmente, incluindo 10.200 em atividade, a 6.104 - uma redução de dois terços -, durante um período de 10 anos.
Apenas 5.060 entre elas serão autorizadas a enriquecer urânio, a um nível que não ultrapassará 3,67% durante 15 anos. Trata-se exclusivamente de centrífugas de primeira geração.
Contudo, o Irã poderá prosseguir com suas atividades de pesquisa com centrífugas mais modernas e começar a fabricação, após oito anos, dos IR-6, dez vezes mais eficazes que as máquinas atuais, e ao IR-8, com desempenho 20 vezes superior.
- Teerã reduzirá a 300 kg, por um período de 15 anos, seu estoque de urânio enriquecido (LEU), atualmente de 10.000 kg.
- Teerã aceitou não construir nenhuma nova instalação de enriquecimento de urânio durante 15 anos.
- O Irã concorda em interromper o enriquecimento de urânio por pelo menos 15 anos na usina de Fordo, enterrada sob as montanhas e, portanto, impossível de destruir por ação militar.
Não haverá material físsil em Fordo por pelo menos 15 anos.
O local permanecerá aberto, mas não enriquecerá urânio.
Cerca de dois terços das centrífugas de Fordo será removido do local.
- Natanz: é a principal instalação de enriquecimento iraniano, com cerca de 17.000 centrífugas IR-1 de primeira geração, mil de IR-2M, e com capacidade de acomodar um total de 50.000.
Teerã concordou em torná-la sua única usina de enriquecimento e manter apenas 5.060 centrífugas, todas IR-1. As centrífugas IR-2M serão retiradas e colocadas sob controle da AIEA.

Controle

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), já presente no Irã, será responsável por controlar regularmente todas as instalações nucleares iranianas, e terá suas prerrogativas reforçadas consideravelmente.
- O campo de competência da AIEA se estenderá a todo programa nuclear iraniano, da extração de urânio à pesquisa-desenvolvimento, passando pela conversão e o enriquecimento de urânio. Os inspetores da AIEA poderão ter acesso às minas de urânio e aos locais onde o Irã produz o "yellowcake" (um concentrado de urânio), durante 25 anos.
- O Irã também concedeu um acesso limitado a suas instalações não-nucleares, principalmente militares, em caso de suspeita de atividade nuclear ilegal, pelos inspetores da AIEA como parte do Protocolo adicional ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP) que os países se comprometeram a aplicar e ratificar.

Plutônio

O acordo visa a tornar impossível a produção pelo Irã de plutônio 239, outro componente que pode compor uma bomba nuclear.
- O reator de água pesada em construção em Arak será modificado de modo a ser incapaz de produzir plutônio de qualidade militar. Os dejetos produzidos serão enviados ao exterior durante toda a vida do reator.
- Teerã não poderá construir um novo reator de água pesada durante 15 anos.

Sanções

O Conselho de Segurança das Nações Unidas deve adotar uma nova resolução para aprovar o acordo e anular todas as resoluções anteriores contra o programa nuclear iraniano.
Algumas medidas serão, no entanto, mantidas como exceção.
- As sanções americanas e europeias relacionadas com o programa nuclear iraniano visando os setores das finanças, energia e transporte, serão levantadas "assim que o Irã implemente" seus compromissos nucleares, atestado por um relatório da AIEA, o que não deve acontecer antes de 2016.
- As sanções da ONU sobre as armas: vão ser mantidas por cinco anos, mas exceções poderão ser concedidas pelo Conselho de Segurança. Todo comércio de mísseis balísticos com capacidade de transportar ogivas nucleares permanece banido por um período indeterminado.

Considerações finais

O fim do embargo recoloca o Irã na economia mundial em uma época de crise econômica global, e isso pode ser muito bom para parceiros econômicos e é claro, para os iranianos que comemoram a reaproximação.






Jonathan Kreutzfeld

Fonte:






                       

quinta-feira, 18 de junho de 2015

Diversidade religiosa no Brasil - Censo 2010

Censo 2010: número de católicos cai e aumenta o de evangélicos, espíritas e sem religião

Os resultados do Censo Demográfico 2010 mostram o crescimento da diversidade dos grupos religiosos no Brasil. A proporção de católicos seguiu a tendência de redução observada nas duas décadas anteriores, embora tenha permanecido majoritária. Em paralelo, consolidou-se o crescimento da população evangélica, que passou de 15,4% em 2000 para 22,2% em 2010. Dos que se declararam evangélicos, 60,0% eram de origem pentecostal, 18,5%, evangélicos de missão e 21,8 %, evangélicos não determinados. A pesquisa indica também o aumento do total de espíritas, dos que se declararam sem religião, ainda que em ritmo inferior ao da década anterior, e do conjunto pertencente às outras religiosidades.Os dados de cor, sexo, faixa etária e grau de instruçãorevelam que os católicos romanos e o grupo dos sem religião são os que apresentaram percentagens mais elevadas de pessoas do sexo masculino. Os espíritas apresentaram os mais elevadosindicadores de educação e de rendimentos.
As mudanças, no entanto, não se restringem à composição religiosa da população brasileira. O Censo 2010 também registrou modificações nas características gerais da população, como, por exemplo, a aceleração do processo de envelhecimento populacional, a redução na taxa de fecundidade e a reestruturação da pirâmide etária. A investigação sobre cor ou raça revelou que mais da metade da população declarou-se parda ou preta, sendo que em 21 estados este percentual ficou acima da média nacional (50,7%). As maiores proporções estavam no Pará (76,8%), Bahia (76,3%) e Maranhão (76,2%). Apenas em Santa Catarina (84,0%), Rio Grande do Sul (83,2%), Paraná (70,3%) e São Paulo (63,9%) mais da metade da população havia se declarado branca em 2010.
Além disso, quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população, declarou possuir pelo menos uma das deficiências investigadas (mental, motora, visual e auditiva), a maioria, mulheres. Entre os idosos, aproximadamente 68% declararam possuir alguma das deficiências. Pretos e amarelos foram os grupos em que se verificaram maiores proporções de deficientes (27,1% para ambos). Em todos os grupos de cor ou raça, havia mais mulheres com deficiência, especialmente entre os pretos (23,5% dos homens e 30,9% das mulheres, uma diferença de 7,4 pontos percentuais). Em 2010, o Censo registrou, ainda, que as desigualdades permanecem em relação aos deficientes, que têm taxas de escolarização menores que a população sem nenhuma das deficiências investigadas. O mesmo ocorreu em relação à ocupação e ao rendimento. Todos esses números referem-se à soma dos três graus de severidade das deficiências investigados (alguma dificuldade, grande dificuldade, não consegue de modo algum).
Estas e outras informações integram a publicação Censo Demográfico 2010: Características gerais da população, religião e pessoas com deficiência, que pode ser acessada pelo link
http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/caracteristicas_religiao_deficiencia/default_caracteristicas_religiao_deficiencia.shtm.

Em 30 anos, percentual de evangélicos passa de 6,6% para 22,2%

Os evangélicos foram o segmento religioso que mais cresceu no Brasil no período intercensitário. Em 2000, eles representavam 15,4% da população. Em 2010, chegaram a 22,2%, um aumento de cerca de 16 milhões de pessoas (de 26,2 milhões para 42,3 milhões). Em 1991, este percentual era de 9,0% e em 1980, 6,6%.
Já os católicos passaram de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010. Embora o perfil religioso da população brasileira mantenha, em 2010, a histórica maioria católica, esta religião vem perdendo adeptos desde o primeiro Censo, realizado em 1872. Até 1970, a proporção de católicos variou 7,9 pontos percentuais, reduzindo de 99,7%, em 1872, para 91,8%.
Esta redução no percentual de católicos ocorreu em todas as regiões, mantendo-se mais elevada no Nordeste (de 79,9% para 72,2% entre 2000 e 2010) e no Sul (de 77,4% para 70,1%). A maior redução ocorreu no Norte, de 71,3% para 60,6%, ao passo que os evangélicos, nessa região, aumentaram sua representatividade de 19,8% para 28,5%.
Entre os estados, o menor percentual de católicos foi encontrado no Rio de Janeiro, 45,8% em 2010. O maior percentual era no Piauí, 85,1%. Em relação aos evangélicos, a maior concentração estava em Rondônia (33,8%), e a menor no Piauí (9,7%).



8,0% dos brasileiros se declararam sem religião em 2010
Entre os espíritas, que passaram de 1,3% da população (2,3 milhões) em 2000 para 2,0% em 2010 (3,8 milhões), o aumento mais expressivo foi observado no Sudeste, cuja proporção passou de 2,0% para 3,1% entre 2000 e 2010, um aumento de mais de 1 milhão de pessoas (de 1,4 milhão em 2000 para 2,5 milhões em 2010). O estado com maior proporção de espíritas era o Rio de Janeiro (4,0%), seguido de São Paulo (3,3%), Minas Gerais (2,1%) e Espírito Santo (1,0%).
O Censo 2010 também registrou aumento entre a população que se declarou sem religião. Em 2000 eram quase 12,5 milhões (7,3%), ultrapassando os 15 milhões em 2010 (8,0%). Os adeptos da umbanda e do candomblé mantiveram-se em 0,3% em 2010.

Homens estão em maior proporção entre católicos e sem religião

Com proporções de 65,5% para homens e 63,8% para mulheres, os católicos são, junto com os sem religião (9,7% para homens e 6,4% para mulheres), os que apresentam mais declarantes do sexo masculino. Nos demais grupos, as mulheres eram maioria.
A proporção de católicos também foi maior entre as pessoas com mais de 40 anos, chegando a 75,2% no grupo com 80 anos ou mais. O mesmo se deu com os espíritas, cuja maior proporção estava no grupo entre 50 e 59 anos (3,1%). Já entre os evangélicos, os maiores percentuais foram verificados entre as crianças (25,8% na faixa de 5 a 9 anos) e adolescentes (25,4% no grupo de 10 a 14 anos).
No que tange ao recorte por cor ou raça, as proporções de católicos seguem uma distribuição aproximada à do conjunto da população: 48,8% deles se declaram brancos, 43,0%, pardos, 6,8%, pretos, 1,0%, amarelos e 0,3%, indígenas. Entre os espíritas, 68,7% eram brancos, percentual bem mais elevado que a participação deste grupo de cor ou raça no total da população (47,5%). Entre os evangélicos, a maior proporção era de pardos (45,7%). A maior representatividade de pretos foi verificada na umbanda e candomblé (21,1%). No grupo dos sem religião, a declaração de cor mais presente também foi parda (47,1%).

População espírita tem os melhores indicadores de educação

Os resultados do Censo 2010 indicam importante diferença dos espíritas para os demais grupos religiosos no que se refere ao nível de instrução. Este grupo religioso possui a maior proporção de pessoas com nível superior completo (31,5%) e as menores percentagens de indivíduos sem instrução (1,8%) e com ensino fundamental incompleto (15,0%). Já os católicos (6,8%), os sem religião (6,7%) e evangélicos pentecostais (6,2%) são os grupos com as maiores proporções de pessoas de 15 anos ou mais de idade sem instrução. Em relação ao ensino fundamental incompleto são também esses três grupos de religião que apresentam as maiores proporções (39,8%, 39,2% e 42,3%, respectivamente).
Os católicos e os sem religião foram os grupos que tiveram os maiores percentuais de pessoas de 15 anos ou mais de idade não alfabetizadas (10,6% e 9,4%, respectivamente). Entre a população católica é proporcionalmente elevada a participação dos idosos, entre os quais a proporção de analfabetos é maior. Por outro lado, apenas 1,4% dos espíritas não são alfabetizados.

Mais de 60% dos evangélicos pentecostais recebem até 1 salário mínimo

A comparação da distribuição das pessoas de 10 anos ou mais de idade por rendimento mensal domiciliar per capita revelou que 55,8% dos católicos estavam concentrados na faixa de até 1 salário mínimo. Mas são os evangélicos pentecostais o grupo com a maior proporção de pessoas nessa classe de rendimento (63,7%), seguidos dos sem religião (59,2%). No outro extremo, o das classes de rendimento acima de 5 salários mínimos, destaca-se o percentual observado para as pessoas que se declararam espíritas (19,7%).

Fonte:

http://censo2010.ibge.gov.br/pt/noticias-censo?id=3&idnoticia=2170&view=noticia

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/o-ibge-e-a-religiao-%E2%80%93-cristaos-sao-868-do-brasil-catolicos-caem-para-646-evangelicos-ja-sao-222/


Intolerância religiosa no Brasil

A religião é considerada um direito humano fundamental dos cidadãos. Existem cerca de 10 mil religiões espalhadas pelo mundo, com crenças, valores morais e éticos, leis religiosas e estilos de vida diferentes, que necessitam de respeito e tolerância. No entanto, não é o que vem acontecendo, nem mesmo em países com maiores liberdade religiosa, assim interferindo negativamente na convivência social.

A intolerância religiosa é um crime de ódio, que vem ferindo a dignidade humana. Além disso, problemas de intolerância são graves e atingem o mundo inteiro, o xenofobismo, o etnocentrismo, a homofobia e a perseguição religiosa são as consequências de tal questão.

Exemplo disso ocorre no Brasil, que apesar de ser um Estado Laico, ainda há um grande número de denúncias de preconceitos e de agressões por praticantes de religiões opostas. As maiores vítimas dessas perseguições são religiões de matrizes africanas, candomblé e umbanda, por exemplo. No entanto não é recente, pois foram perseguidos também no período da escravidão no Brasil.
Dessa forma, mediante os fatos expostos, observa-se que a ambiguidade se baseia no preconceito e na discriminação do outro. Para tentar amenizá-la seria necessário o cumprimento da Lei e do direito dos cidadãos e a conscientização da população pela a educação familiar e escolar, com projetos, campanhas midiáticas que visem o ensino do respeito à religião adversa.

A Constituição Federal brasileira garante liberdade de culto religioso. No entanto, não existem leis específicas de combate à intolerância religiosa, atos de agressão e vandalismo. Segundo o professor Wanderson Flor, da Faculdade de Educação, a intolerância religiosa é um dos fenômenos mais antigos da história da humanidade e praticamente todas as religiões sofrem do mal, principalmente as de matrizes africanas. “Você tem um cruzamento da intolerância religiosa com o racismo”, diz.

O problema acontece quando um indivíduo acredita que a crença dele é a verdadeira e a do outro é falsa. Mas não necessariamente esse agressor é moralmente um criminoso. É uma pessoa que acredita ajudar um indivíduo que professa uma “crença de satanás”. Ele tenta combater a crença do outro com o pretexto de salvá-lo, mas viola cultos e a privacidade alheia.

“Chefes de culto foram espancados, imagens quebradas, roupas queimadas. Houve historicamente e ainda há muita perseguição e ataques explícitos aos cultos de matrizes africanas”, argumenta o Doutor em Educação Jorge Manoel Adão. Para ele, o preconceito também vem da falta de conhecimento já que nas escolas não se ensina o respeito e a visão de mundo das variadas religiões.

Menina recebe pedrada e ofensas em saída de culto religioso

Com apenas 11 anos, K. conheceu a intolerância religiosa, domingo à noite (14/06/2015), de forma dolorosa. A menina, iniciada no Candomblé há quatro meses, seguia com parentes e irmãos de santo para um centro espiritualista na Vila da Penha, na Zona Norte, quando foi atingida na cabeça por uma pedra, atirada por grupo ainda não identificado. Segundo testemunhas, momentos antes, os agressores já haviam xingado os adeptos da religião de matriz africana.

"Eles gritaram: ‘Sai, satanás, queima! Vocês vão para o inferno'". Mas nós não demos importância. Logo depois, o pedregulho atingiu minha neta e, enquanto fomos socorrê-la, eles fugiram em um ônibus", contou a avó da menina, Kathia Coelho Maria Eduardo, de 53, conhecida na religião como Vó Kathi Funcibialá.

O caso foi registrado ontem na 38ª DP (Brás de Pina) como lesão corporal, no artigo 20 da lei 7.716 (praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de religião). A polícia tenta identificar os agressores através de câmeras da região.

K. chegou a desmaiar e, segundo parentes, teve dificuldades para lembrar de fatos recentes. "Ela foi atendida num hospital, mas está bem agora. Inclusive, foi até para a escola hoje. É muito estudiosa, mas, na hora, chegou a perder a memória. Que mundo é esse que estamos vivendo? Não se respeita nem criança?", questionou, ainda indignada, Yara Jambeiro, de 49 anos, também integrante do Barracão Inzo Ria Lembáum e uma das responsáveis pela educação religiosa de K.

Marcelo Dias, o Pai Yango, que é responsável por página em rede social com mais de 50 mil adeptos, divulgou o caso na internet. "É assombroso", comentou o líder religioso.

Jonathan Kreutzfeld

Fonte:





segunda-feira, 25 de maio de 2015

Migrações atuais na Europa e em SC

O que?

A chegada de barcos cheios de imigrantes pobres e desesperados à Europa pelo mar Mediterrâneo está exercendo uma enorme pressão sobre a União Europeia, que busca soluções para o fluxo crescente de pessoas.
Entre 2013 e 2014, milhares de pessoas se afogaram tentando chegar à Europa. Foram inúmeros os chamados para que a UE levasse a cabo uma ação coordenada para interceptar contrabandistas e lidar com os muitos imigrantes que tentam buscar asilo antes de chegar à terra.

Por que?

A agitação social que resultou da Primavera Árabe trouxe novas pressões migratórias sobre a Europa ao levar mais pessoas a arriscar suas vidas atravessando o Mediterrâneo em barcos lotados e em péssimo estado.
A sangrenta guerra civil na Síria também aumentou o número de sírios em busca de refúgio na Europa. Essa é a principal nacionalidade que está migrando ilegalmente à UE, superando afegãos e eritreus.
Os pontos de partida costumam ser no norte da África, provenientes do Egito e da Líbia e carregando pessoas de países em guerra ou pobreza extrema.
Em 2013, a Frontex detectou 40.304 imigrantes em situação irregular na rota do Mediterrâneo Central, aumento de 288% em relação a 2012. Esses números subiram em 2014, atingindo mais de 150 mil.
As guerras na Síria e no Iraque são claramente importantes catalisadores de migração para a Europa. Os vizinhos da Síria no Oriente Médio receberam cerca de 3 milhões de refugiados, enquanto milhões de pessoas foram deslocadas dentro do próprio território sírio.

Por outro lado, muitos migrantes continuam a fazer viagens perigosas a partir do Chifre da África, sendo muitas vezes tratados com violência por traficantes e enfrentando o calor do deserto e o conflito na Líbia, um país que se tornou o principal ponto de partida para a travessia do Mediterrâneo.
A guerra também afetou a Somália, e as autoridades italianas acreditam que muitos dos que pedem asilo têm razões genuínas para pedir asilo, já que fogem de perseguição.
No caso da Eritreia, muitos jovens estão fugindo do serviço militar obrigatório que alguns classificam como trabalho escravo. A Eritreia também enfrenta a repressão política, de acordo com relatórios de organizações de defesa dos direitos humanos.
Em geral, países instáveis politicamente, guerras, Estado Islâmico e pobreza extrema são os principais motivos de migrações.

Como a União Europeia está lidando com a imigração?

Durante anos, a UE teve problemas para harmonizar sua política de asilo. É algo complicado considerando que há 28 países membros, cada um com sua própria polícia e sistema de justiça.
Há novas regras estabelecidas pelo Sistema Europeu Comum de Asilo, mas uma coisa é ter regras e outra é colocá-las em prática em todo o bloco.
O Regulamento de Dublin engloba as principais regras para lidar com pedidos de asilo. Indica que a responsabilidade por examinar os pedidos recai principalmente sobre o Estado-Membro que desempenha o papel principal na chegada de quem pede asilo - em geral, o primeiro país da União Europeia que o migrante pisou, mas nem sempre. Em muitos casos, os migrantes chegam em um país ao sul mas querem se unir a familiares que estejam, por exemplo, no Reino Unido ou na Holanda.

Algumas reações quanto à vinda de estrangeiros para SC

Chegaram a Florianópolis (SC), no começo da madrugada desta segunda-feira 25/05/2015, os haitianos e senegaleses que se deslocam para o Sul do país desde quinta-feira. No entanto, a falta de informações do governo do Acre (AC), de onde partiram 88 estrangeiros em dois ônibus, provocou desencontros na viagem que tem como destino final a capital gaúcha.

FIESC - Haitianos e senegaleses em SC: "Imigrantes ocupam postos que são dispensados", diz representante da Fiesc — Isso acontece porque muitos dos imigrantes têm capacitação e até nível superior, mas a qualificação ainda precisa ser propiciada para eles ocuparem essas vagas disponíveis — acredita.

ÂNGELA ALBINO – "Nosso povo é filho de imigrantes e precisa ser generoso com o tema", diz Ângela Albino sobre estrangeiros em SC.

PELA INTERNET- Já pela internet, catarinenses têm demonstrado apreensão com a chegada de 88 imigrantes haitianos e senegaleses ao Estado. O principal temor apontado é relativo à possibilidade de perda de vagas no mercado de trabalho para os estrangeiros, que pode agravar a situação econômica em Santa Catarina.

Sobre o assunto, o Jornal Zero Hora de Porto Alegre fez um breve documentário intitulado:

INFERNO NA TERRA PROMETIDA


Fonte:






quinta-feira, 7 de maio de 2015

Tornado em Xanxerê

Na tarde do dia 20 de abril de 2015, a cidade de Xanxerê, com 47.679 habitantes localizada no oeste catarinense foi atingida por um tornado.

O tornado foi classificado como F2, quando os ventos superam os 210km/h. Uma estação meteorológica da cidade registrou ventos de 84 km/h porém essa estação fica distante das áreas mais atingidas.


Os estragos causados na região totalizaram até o momento 4 mortes, atingiram mais de 10 mil pessoas, desabrigando cerca de 4 mil. 

Xanxerê teve 78 casas destruídas e Ponte Serrada 24, sendo cinco totalmente e 19 parcialmente. Além disso muitas estruturas públicas também foram afetadas. 

Os investimentos previstos para restabelecer as casas e estruturas destruídas totalizam mais de 5,8 milhões de reais até o momento.

Tornados e o fenômeno de Xanxerê

Tornado é um funil que se forma entre a base da nuvem e o solo. Santa Catarina é uma das regiões do país mais favoráveis a formação de nuvens cumulonimbus, as que podem dar origem a tornados, conforme o Inmet. Com a incidência de frentes frias, fenômenos de chuva e não de frio, há mais chances do fenômeno.

De acordo com o órgão, pelos mapas meteorológicos, é possível ver que esta nuvem cumulonimbus cobria toda a região Oeste catarinense no horário do fenômeno. O tornado depende da climatologia e topografia.

Ainda segundo o meteorologista do Inmet, a formação do tornado é de difícil previsão. “Geralmente os radares só detectam o fenômeno quando ele acontece. É diferente de um furacão, por exemplo, que é possível prever onde e quando ele deve acontecer”, diz  Melo.


Jonathan Kreutzfeld

 VÍDEO DO TORNADO EM XANXERÊ

Fonte: